Sérgio, a alegria da minha viagem.
“Pior que não ter onde cair morto, é não ter onde ficar em pé vivo.” Autor Desconhecido
Ônibus chechelento. Você adentra e vê que sua passagem está marcada para um número ao lado do qual tem um sujeito mal encarado. Com a arte do improviso, se vira e se joga nos bancos ao lado. São nove horas da manhã de uma segunda-feira.
Aí você se acomoda, com aquela cara que não deveria estar ali, com raiva de ter perdido o ônibus no dia anterior e ter faltado meio dia de trabalho. De repente...
- Bom dia, pessoal. Meu nome é Sérgio. (Áudio: Voz de locutor de comercial dos anos 50. Empolgação idem). Eu sou o motorista que irá conduzir vocês até o destino. A previsão de chegada é (uma hora a mais de viagem do que eu tinha programado). Esse ônibus é um horário intermediário, então nós paramos também na estrada. (Leia-se: para qualquer ser vivo que estiver parado na beira da estrada). E ele continua: Gostaríamos que vocês colocassem o cinto de segurança. Porque é obrigatório. Ééé, é obrigatório. (Ninguém perguntou ou fez cara de espanto para haver motivo de repetir a colocação).
Não contente, ele prossegue... - E outra, não queremos que nada aconteça com vocês., né gente? (Ai-Meu-Deus!) Pessoal, se acontecer algum acidente, o ônibus tem saídas de emergência, essas das cortininhas vermelhas. Se caso vocês não conseguirem sair pelas janelas, aí tem o topo do veículo, é um alçapão, bem simples, fácil pra sair.
Será que só eu que estava achando aquilo tudo nonsense? Porque raios tem que ser o motorista que passa essas malditas instruções? Se o próprio motorista cogita a hipótese de um acidente, em quem se pode confiar?
Depois dele, a mulher da poltrona 2 fala:
- Viu, Sérgio. Você pode abrir a cortina aqui para eu ver a estrada? É que eu passo mal se ela ficar fechada.
Aham. Sei. Garanto que ela queria ser a primeira a garantir a saída pela janela vermelha. Isso, é claro, SE acontecesse um acidente.
Escrito por tatilazz às 20h28
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